20
dezembro
2011

QUIMIOTERAPIA

O que é a Quimioterapia e como funciona

As células normais crescem e morrem de uma maneira controlada. O cancro ocorre quando as células se tornam anormais, dividindo-se e reproduzindo-se sem controlo.

Muitas vezes estas células saem do seu local de origem e, através da corrente sanguínea ou linfática, atingem outros órgãos, iniciando o desenvolvimento de outros tumores também conhecidos por metástases.

A quimioterapia é o tratamento com medicamentos anti-cancerígenos, que destroem as células malignas, impedindo o seu crescimento ou multiplicação e que actuam em um ou mais pontos do seu ciclo de vida. Os medicamentos atingem a corrente sanguínea possibilitando a destruição das células malignas localizadas em qualquer ponto do organismo, motivo pelo qual se chama de terapêutica sistémica. Visto que não é uma terapêutica dirigida, também podem afectar as células normais, especialmente as que se dividem rapidamente, causando efeitos secundários desagradáveis. Contudo as células normais recuperam em pouco tempo, sendo as alterações habitualmente temporárias. A maioria dos efeitos secundários desaparece quando termina a quimioterapia.

As células malignas rapidamente se adaptam ao ambiente tóxico e alteram-se para assegurar a sua sobrevivência, utilizando mecanismos biológicos que promovem a imortalidade celular. Todos estes factores tornam o cancro uma doença difícil de tratar.

Qual o objectivo da quimioterapia

Dependendo do tipo de tumor e da extensão da doença, a quimioterapia pode ser administrada com o propósito de: - controlar o cancro, evitando o crescimento e a disseminação; - aliviar os sintomas causados pelo cancro, melhorando a qualidade de vida; - contribuir para que a doença não surja após a cirurgia; - permitir a redução tumoral para uma melhor cirurgia.

Mesmo que a quimioterapia não seja curativa, contribui para prolongar a vida com melhor qualidade. Os potenciais benefícios do tratamento devem sempre sobrepor-se aos riscos.


A quimioterapia combinada associa medicamentos que diferem na maneira de actuar e nos efeitos secundários. Tem como objectivo proporcionar o máximo efeito anti-tumoral com menor toxicidade. Porque as células tumorais têm diferentes características biológicas, a combinação de fármacos pode efectivamente eliminar células malignas resistentes a um único agente.

A quimioterapia pode não ser a única terapêutica proposta, beneficiando com a associação de outras modalidades como a radioterapia, cirurgia e a terapêutica biológica.

A quimioterapia adjuvante é administrada após a cirurgia quando, embora não haja evidência visível de tumor, existem certos factores preditivos que indicam maior risco de recorrência, como as metástases em gânglios linfáticos.

A quimioterapia neoadjuvante é administrada antes da cirurgia ou da radioterapia para reduzir o tamanho do tumor.

Formas de administração da quimioterapia

As vias mais comuns de administrar a quimioterapia são a via endovenosa (através da veia) e a via oral (comprimidos ou cápsulas). Em situações especiais a quimioterapia pode ser injectada em áreas específicas do organismo usando um cateter que é colocado no local a tratar. A via utilizada é a mais adequada ao medicamento prescrito e ao doente e não significa que a quimioterapia seja mais ou menos eficaz. Independentemente da via de administração, o medicamento é absorvido para a corrente sanguínea e atinge todas as células malignas.

Na via endovenosa geralmente utiliza-se uma agulha colocada na veia da mão ou antebraço que se retira após cada sessão. Durante o tratamento pode surgir uma sensação de queimadura, frio ou outra sensação estranha no local da punção devendo ser comunicada à equipa.

Os doentes que necessitam de muitos tratamentos endovenosos e com veias pouco acessíveis, beneficiam da colocação de um cateter em uma das grandes veias do organismo conhecido como cateter venoso central. Algumas vezes o cateter liga-se a um pequeno disco plástico ou metálico colocado cirurgicamente debaixo da pele, permanecendo aí por tempo indeterminado. Através do cateter podem administrar-se os medicamentos e tirar sangue as vezes que forem necessárias. Pode ser usada uma bomba para controlar a quantidade do medicamento fornecido durante um período de tempo específico. Há dois tipos de bombas: externas, que permanecem fora do corpo, e que podem ser portáteis (permitindo uma mobilização normal durante o seu uso) ou não portáteis (que restringem a actividade); internas, colocadas cirurgicamente debaixo da pele, contendo um pequeno reservatório do medicamento e que permitem a actividade normal.

Pela boca, via oral, a quimioterapia em forma de comprimido ou cápsula é deglutida como os outros medicamentos. Se for permitida a toma no domicílio, deve ter instruções acerca da sua relação com a ingestão de alimentos. Se por qualquer motivo os medicamentos prescritos não foram tomados, deve contactar imediatamente o seu médico.

Plano de tratamento

O plano de tratamento é proposto de acordo com as necessidades de cada pessoa considerando o tipo de tumor, a localização, a extensão e o estado geral do doente.

O seu médico poderá ainda sugerir a sua colaboração num ensaio clínico para o tratamento da doença. Os ensaios clínicos são estudos cuidadosamente desenhados com o objectivo de encontrar as melhores maneiras de tratar o cancro, testando novos tratamentos. Os doentes que fazem parte da investigação podem ser os primeiros a beneficiar, para além do importante contributo que sempre dão. Este contributo é de importância extrema para o desenvolvimento da Medicina e para todos os outros doentes.

A duração e a frequência da quimioterapia dependem do tipo de medicamento utilizado, da resposta das células malignas ao tratamento e dos efeitos secundários que causam. É usualmente administrada em ciclos (ou faixas), isto é, com uma determinada periodicidade, que se repete de 3 em 3 semanas ou de 4 em 4 semanas. O tratamento é seguido de um período de repouso para que o organismo recupere dos efeitos secundários.

Porque muitos medicamentos também afectam as células saudáveis, devem ser efectuados exames laboratoriais antes da administração da quimioterapia incluindo: hemoglobina, plaquetas, glóbulos brancos, função renal e hepática. A alteração dos valores pode requerer ajuste de dose ou atraso do ciclo.

O número total de ciclos depende da resposta do tumor à quimioterapia, não ultrapassando em média os 4-6 ciclos. No fim deste conjunto de ciclos e se não houver progressão da doença, pode ainda ser proposta uma terapêutica de manutenção.

A maioria dos doentes recebe o tratamento de uma forma ambulatória em regime de hospital de dia, sem necessitar de hospitalização. Em alguns casos justifica-se o internamento por um curto período de tempo para vigilância de um eventual efeito secundário ou para ajuste de dose.

Alguns medicamentos podem interferir com os efeitos da quimioterapia. Antes de iniciar o tratamento, a equipa deve ser informada do nome, dose, frequência de administração e o motivo porque os medicamentos são tomados.

Resultado da quimioterapia

São realizados frequentemente exames físicos, radiológicos e laboratoriais para avaliar o resultado do tratamento. Os termos mais comuns para descrever a eficácia do tratamento para o cancro são: resposta completa (remissão), quando há o desaparecimento completo do tumor, ou resposta parcial, se houver diminuição das dimensões do tumor. A quimioterapia pode não reduzir o tumor, mas impedir que cresça ou dissemine considerando-se uma estabilização da doença, que muitas vezes é suficiente para o controlo dos sintomas contribuindo para o bem-estar do doente.

Se o cancro reaparece depois de uma remissão diz-se que há uma recidiva.

No percurso do tratamento ou da vigilância da doença, aquando de uma avaliação, pode existir uma progressão da doença, que pode conduzir a uma alteração do esquema de quimioterapia ou à sua reintrodução.

Efeitos secundários mais frequentes

Antes de começar a quimioterapia e após a explicação fornecida pelo seu médico, é habitual assinar um formulário de consentimento informado, no qual o doente declara que recebeu uma informação adequada e suficiente acerca dos medicamentos que lhe vão ser administrados e dos seus efeitos secundários mais frequentes.

Os medicamentos anti-cancerígenos são feitos para destruir as células em crescimento rápido mas porque algumas células normais também se multiplicam rapidamente a quimioterapia pode afectá-las. Quando isso acontece surgem os efeitos secundários. As células normais com maior probabilidade de serem afectadas são as células sanguíneas (os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos ou leucócitos e as plaquetas), as do tracto digestivo (boca, esófago, estômago, intestino), as do sistema reprodutor (órgãos sexuais) e dos folículos pilosos. Alguns medicamentos podem afectar as células de órgãos vitais como o coração, rins, bexiga, pulmões e sistema nervoso.

No entanto, nem todas as pessoas tratadas com quimioterapia têm efeitos secundários.

O tratamento produz diferentes reacções de pessoa para pessoa e pode variar em cada tratamento. A maior parte dos efeitos secundários são temporários e desaparecem gradualmente com o fim da terapêutica. Certos efeitos podem ser prevenidos através de medicação apropriada.

Anemia

A quimioterapia pode reduzir a capacidade da medula óssea produzir glóbulos vermelhos, provocando uma baixa concentração de hemoglobina a que se chama anemia.

A hemoglobina transporta o oxigénio a todas as partes do corpo. Se o seu valor é baixo e os tecidos não recebem oxigénio suficiente para o seu funcionamento, podem surgir os sintomas de fadiga, palpitações, falta de ar, sonolência, tonturas, dor nas pernas. A intensidade dos sintomas varia de acordo com o tempo de instalação da anemia.

A presença de anemia depende do protocolo de quimioterapia e do próprio doente. No cancro do pulmão, mais de 50% dos doentes que fazem quimioterapia apresentarão anemia em algum momento do seu tratamento. Uma grande parte dos doentes refere que a fadiga os impede de ter uma vida normal, levando a que para alguns seja necessário alterar os seus hábitos de vida.

Para o diagnóstico é necessária uma análise laboratorial (hemograma), que será feita regularmente.

Se o número de glóbulos vermelhos descer demasiado, pode ser necessário efectuar transfusões sanguíneas ou a administração de um factor de crescimento dos glóbulos vermelhos (a eritropoetina).

  • Algumas sugestões para melhorar os sintomas:
  • Descansar bastante: dormir mais à noite e fazer sestas durante o dia mas não trocar as horas do sono;
  • Limitar as actividades - fazer apenas as coisas que são essenciais;
  • Pedir ajuda quando necessário - compras...;
  • Fazer uma dieta equilibrada;
  • Preferir alimentos fáceis de preparar e de ingerir (sopa, cereais...);
  • Levantar-se lentamente, para evitar tonturas e a sensação de desmaio iminente.

Infecção

Os glóbulos brancos (leucócitos) são as células mais importantes do organismo na luta contra as infecções. A quimioterapia afecta a medula óssea e diminui a capacidade de produzir glóbulos brancos, aumentando o risco de infecção.

Serão feitas regularmente análises de sangue para contagem destas células. Quanto menor for o número de glóbulos brancos maior é o risco de infecção. Para ajudar a recuperação dos glóbulos brancos podem ser administrados medicamentos que se chamam factores estimulantes de crescimento, com o objectivo de reduzir o risco de infecção.

Muitas infecções são produzidas por bactérias que se encontram normalmente na pele, boca, intestino e tracto genital. Em alguns casos a causa da infecção pode ser desconhecida. Quando os glóbulos brancos estão baixos, mesmo que seja muito cuidadoso, pode adquirir uma infecção.

Algumas sugestões para prevenir as infecções:

  • Lavar as mãos várias vezes durante o dia com sabão e água tépida, incluindo as unhas e o espaço entre os dedos. Assegurar que as lava antes das refeições, antes e depois de usar a casa de banho e depois de tocar em animais.
  • Tentar manter a pele intacta, visto que pequenos cortes e feridas podem ser o ponto de partida da infecção.
  • Limpar imediatamente os cortes com água tépida, sabão e um anti-séptico.
  • Usar uma máquina de barbear eléctrica, em vez de lâmina para evitar cortes na pele.
  • Limpar suave mas completamente a área rectal após cada evacuação. Se a área se torna inflamada ou tem hemorróidas, informar o seu médico.
  • Afastar-se de pessoas com doenças que possam contagiar, tais como, gripe, sarampo, varicela, etc.
  • Evitar as multidões, sem necessidade de ficar prisioneiro em casa. Ir ao cinema, compras…quando as lojas estiverem menos cheias.
  • Afastar-se de crianças que receberam recentemente vacinas, como a poliomielite, sarampo, rubéola.
  • Manter uma boa higiene oral.
  • Tomar um banho diário com água tépida (não quente). Limpar-se suavemente, sem friccionar.
  • Usar loção para amaciar a pele, se esta se tornou seca.
  • Utilizar luvas na jardinagem.
  • Não fazer vacinas sem consultar o seu médico.
  • Não comer peixe, carne ou ovos crus.


Esteja atento aos sinais que se podem relacionar com infecção. Comunicar imediatamente ao seu médico qualquer sinal de infecção. Durante o fim-de-semana recorrer à urgência do Hospital mais próximo. Isto é particularmente importante quando os glóbulos brancos estão baixos.


Sintomas de infecção:

  • Febre >38 ºC
  • Calafrios
  • Sudação
  • Diarreia (pode ser efeito da quimioterapia)
  • Dor ou ardor ao urinar
  • Tosse recente ou produção de expectoração espessa, amarela ou castanha
  • Dor de garganta
  • Secreção vaginal fora do habitual ou prurido
  • Vermelhidão, inchaço ou dor especialmente à volta de ferida, afta, borbulha, ou local de cateter endovenoso
  • Dor ou pressão nos seios nasais; dor de ouvidos
  • Náusea e vómito

Estes efeitos secundários relacionados com a quimioterapia variam de pessoa para pessoa e de medicamento para medicamento. Muitas pessoas não têm náuseas e vómitos durante a quimioterapia e alguns medicamentos não causam náusea.

Estes sintomas podem começar imediatamente após o tratamento ou várias horas mais tarde e permanecer durante um ou mais dias. Actualmente existem medicamentos eficazes que previnem ou diminuem a náusea e vómito na maioria dos doentes, que se chamam anti-eméticos.

Se surgirem náuseas ou vómitos intensos durante mais de um dia deve ser contactado imediatamente o seu médico.

Durante o tratamento o apetite pode ser afectado, muitas vezes por alterações do paladar, podendo sentir um gosto anormal na boca. Subitamente um alimento favorito torna-se desagradável, surgindo as ″aversões alimentares″.

  • Algumas sugestões para melhorar os sintomas:
  • Evitar encher o estômago, comendo pequenas e frequentes refeições.
  • Mastigar bem os alimentos, para facilitar a digestão
  • Comer alimentos frios ou à temperatura ambiente, para não ser incomodado pelo cheiro mais intenso.
  • Evitar preparar refeições quando se está nauseado.
  • Evitar cheiros que incomodem, como o da comida, fumos ou perfumes.
  • Preparar e congelar comida para os dias em que não há vontade de cozinhar.
  • Evitar alimentos doces, gordos e fritos.
  • Beber líquidos pelo menos uma hora antes ou depois das refeições, em vez de o fazer durante as refeições. Beber com frequência e em pequenas quantidades.
  • Comer e beber lentamente.
  • Comer alimentos secos como cereais ou tostas antes de levantar, se tiver náuseas logo pela manhã (não o fazer se tiver aftas na boca).
  • Beber sumos de fruta frios e sem açúcar.
  • Evitar comer umas horas antes do tratamento, se as náuseas ocorrem durante o tratamento.
  • Utilizar técnicas de relaxamento.
  • Distrair-se conversando com os amigos ou família, ouvindo música, vendo um programa favorito de televisão, cinema etc.
  • Respirar profunda e lentamente quando sente náusea.
  • Usar roupa confortável.
  • Descansar depois da refeição, mas não se deitar.
  • Para eliminar o mau gosto lavar a boca e mascar mentas.
  • Diarreia

Quando a quimioterapia afecta as células que recobrem o intestino, pode surgir a diarreia (fezes aquosas ou moles).

Se tem diarreia durante mais de 24 horas, ou dor associada, deve ser contactado o seu médico, pois pode necessitar de um medicamento anti-diarreico. Se a diarreia persiste, pode ser aconselhável a hidratação por via endovenosa.

Algumas sugestões para melhorar os sintomas:

  • Beber grandes quantidades de líquidos, para substituir os que se perdem. Os líquidos como a água, caldo, sumo de maçã, chá ou gingerale, são os melhores. Beber lentamente e assegurar-se que estão à temperatura ambiente. Tirar o gás às bebidas gasosas.
  • Comer pequenas quantidades de alimentos, várias vezes ao dia.
  • Evitar alimentos ricos em fibras. Estes incluem: pão e cereais de grão integral, vegetais crus, leguminosas (feijão, fava), nozes, sementes, frutos secos ou frescos.
  • Comer alimentos pobres em fibras. Os alimentos com baixo teor em fibras são: pão branco, arroz branco, cereais cremosos, bananas maduras, fruta sem pele cozinhada ou enlatada, requeijão, iogurte sem sementes, ovos, puré de batata, frango ou peru sem pele e peixe.
  • Evitar o café, chá com cafeína, álcool e doces. Os alimentos fritos, gordos ou muito condimentados são irritantes e podem causar diarreia.
  • Evitar o leite e os produtos lácteos, incluindo os gelados, se estes agravam a diarreia.
  • Ingerir alimentos ricos em potássio, a não ser que o seu médico o tenha desaconselhado. Bananas, laranjas, batatas, néctares de pêssego e damasco são boas fontes de potássio.
  • Se a diarreia é grave, perguntar ao seu médico se deve fazer uma dieta líquida para permitir o repouso do intestino. Uma dieta líquida não proporciona todos os nutrientes necessários, por isso não deve ser superior a 3-5 dias. Associar gradualmente alimentos com baixo teor em fibras.

Obstipação

Certos anti-cancerígenos e alguns medicamentos para a dor podem causar obstipação (prisão de ventre).

A redução da actividade e a dieta com poucos líquidos e fibras são factores de risco. Pode ser necessário tomar um laxante, mas deve consultar o seu médico, especialmente se os seus glóbulos brancos ou plaquetas estão baixos.

Algumas sugestões para melhorar os sintomas:

  • Beber grandes quantidades de líquidos. Se não tiver aftas, líquidos quentes, incluindo água, funcionam especialmente bem.
  • Aumentar a ingestão de fibras na dieta.
  • Fazer algum exercício todos os dias. O simples caminhar pode ajudar.
  • Problemas da boca, gengivas e garganta

Durante o tratamento é importante ter uma boa higiene oral.

Muitos medicamentos provocam aftas na boca e na garganta a que se chama mucosite ou estomatite. A sensação de dor na garganta pode originar dificuldade em deglutir ou disfagia. As mucosas também podem ficar secas, irritadas e sangrantes. As aftas para além de ser dolorosas, podem infectar-se com germens locais. Devem ser tomadas todas as precauções para evitar as infecções.

Se surgirem placas brancas, é necessário tratamento apropriado. Manter uma boa nutrição é importante para o processo de cura. Deve ser mantido um bom nível de proteínas e calorias na dieta diária.

Algumas sugestões para manter a boca, gengivas e garganta saudáveis:

  • Se possível, ir ao dentista antes de iniciar a quimioterapia para ter os dentes limpos e sem problemas de cáries, abcessos, gengivites ou dentaduras mal ajustadas. Durante a quimioterapia fica-se mais propenso a cáries. Perguntar ao dentista qual a melhor maneira de escovar e passar o fio dental e que elixir ou gel fluorado usar para prevenir a deterioração dentária.
  • Escovar os dentes e gengivas depois de cada refeição. Usar uma escova macia; o escovar demasiado enérgico pode lesar os tecidos delicados da boca.
  • Lavar a escova depois de cada utilização e guardá-la em lugar seco.
  • Evitar elixires que contenham álcool.
  • Se tiver aftas dolorosas ou que o impedem de comer, perguntar ao seu médico se há um medicamento para aliviar a dor.
  • Ingerir alimentos frios ou à temperatura ambiente. Os alimentos quentes podem irritar a boca ou a garganta doridas.
  • Ingerir alimentos suaves e refrescantes, como gelados, compotas de bebé, frutas moles (bananas ou compota de maçã), puré de batata, cereais cozidos, ovos pouco cozidos ou escalfados, iogurte, requeijão, macarrão com queijo, cremes, pudins e gelatinas.
  • Evitar alimentos irritantes ou ácidos, como tomate, citrinos e sumos de fruta (laranja, uva, limão), alimentos salgados ou muito condimentados e alimentos duros ou ásperos como vegetais crus e tostas.

Queda do cabelo

A queda do cabelo (alopécia) é um dos mais conhecidos efeitos secundários da quimioterapia e um dos que provoca mais ansiedade tanto em homens como em mulheres.

Nem todos os medicamentos causam queda do cabelo. A quantidade de cabelo que cai depende do tipo de medicamento ou combinação, a dose e a reacção individual. A queda parcial ou completa é temporária.

Habitualmente, a queda começa dentro de poucas semanas depois do primeiro tratamento, ocasionalmente alguns dias. Por vezes começa subitamente acontecendo durante a noite, outras vezes é gradual e observa-se no banho ou na almofada.

A queda do cabelo pode ocorrer em todas as partes do corpo incluindo a cabeça, face, tórax, braços e pernas, axilas e região púbica. Geralmente, volta a crescer quando o tratamento termina ou em alguns casos ainda durante o tratamento. A textura e a cor podem ser diferentes.

Se a alteração do aspecto visual é motivo de ansiedade ou depressão pode-se optar por uma cabeleira postiça que se deve adquirir antes da queda para facilitar a imitação ao cabelo em relação ao corte e cor.

Algumas pessoas preferem usar turbantes, chapéus ou simplesmente deixam a cabeça descoberta. A melhor opção deverá ser o que for mais cómodo para cada um, fazendo com que se sinta bem.

Se sentir revolta, angústia ou depressão, partilhar os sentimentos com alguém que teve uma experiência semelhante pode ser útil.

Não esquecer que é um efeito secundário temporário.

Algumas sugestões para cuidar do couro cabeludo e cabelo:

  • Usar um champô e amaciador suaves. Evitar excesso de champô. Limitar as lavagens a 2-3 vezes por semana.
  • Limitar o uso de secadores, permanentes, rolos, tintas.
  • Usar uma escova suave.
  • Usar uma temperatura baixa ao secar o cabelo.
  • Cortar o cabelo. Um estilo mais curto faz com que o cabelo pareça mais forte e abundante.
  • Usar um protector solar, chapéu, guarda-sol, para proteger o couro cabeludo, se perdeu o cabelo.

Efeitos sexuais: Físicos e Psicológicos

A quimioterapia pode afectar os órgãos sexuais e o seu funcionamento, tanto em homens como em mulheres. Os efeitos secundários dependem dos medicamentos usados, a idade e o estado geral do doente.

No homem pode haver uma diminuição do número de espermatozóides e da sua mobilidade. Estas alterações podem originar infertilidade temporária ou permanente. A infertilidade afecta a capacidade de ter filhos, mas não a capacidade de ter relações sexuais. Outros possíveis efeitos destes medicamentos são os problemas para conseguir ou manter a erecção e alterações nos cromossomas que podem originar defeitos congénitos. Deve utilizar, sempre, durante o tratamento um método anticoncepcional.

Na mulher, os medicamentos podem afectar os ovários e reduzir a quantidade de hormonas. Por vezes os períodos menstruais tornam-se irregulares ou mesmo ausentes durante o tratamento. Estas alterações podem ser temporárias ou permanentes e causar sintomas semelhantes aos da menopausa, como sensação repentina de calor e secura da mucosa vaginal. As alterações no tecido vaginal podem originar desconforto durante as relações sexuais e aumentar o risco de infecções. Deve perguntar ao seu médico que tipo de creme vaginal usar para reduzir o risco de infecção.

Pode também surgir infertilidade, ou seja, a incapacidade de engravidar, que em alguns casos é temporária e noutros é permanente, dependendo do tipo e dose do fármaco e da idade da mulher.

A gravidez é possível durante a quimioterapia. Visto que os fármacos anti-cancerosos podem causar defeitos congénitos, é obrigatório que todas as mulheres em idade fértil utilizem um método anticoncepcional eficaz.

Durante a quimioterapia, os sentimentos e atitudes relacionados com a sexualidade são variáveis. Algumas pessoas não têm qualquer alteração no desejo sexual e nível de energia, enquanto outras referem diminuição do interesse sexual devido ao stress emocional e físico causado pelo tumor e quimioterapia. Aconselhe-se com o seu médico.

terça, 20 dezembro 2011

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